«Mas como não aprendeste que é mais forte criar uma flor (um parafuso...) do que destruir um império? O tempo e o amor... Sei o milagre da vida, por isso a morte me humilha», Vergílio Ferreira, in Aparição, comentário do narrador sobre o assassínio de Sofia perpetrado pelo pobre Bexiguinha
Os portugueses precisam de aprender e interiorizar de uma vez por todas de que só libertando as suas forças criativas é que poderão ultrapassar o impasse permanente em que o país está mergulhado. Os poucos que o fazem são a prova de que tal é possível.
Não vale a pena invejarmos perpetuamente quem é melhor do que nós, e concentrar as nossas energias em destruí-lo, para que todos sejamos igualmente medíocres. É esta atitude dominante que humilha o país face às outras nações e nos complexa com uma infundada inferioridade nas nossas capacidades.
Inferiorizamos as nossas condições de realizar o nosso potencial, através do nosso colectivismo suicidário.
Sabemos o milagre do sucesso, por isso o fracasso nos humilha tão grandemente...
Ideias Navegantes
«Não force nunca; seja paciente neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas» - Agostinho da Silva
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
As cinco cruzes
«Cristo também começou com uma cruz só», Millôr Fernandes, jornalista e humorista brasileiro
E nós por cá já temos cinco: PSD, PS, CDS, BE e PCP. É um bocado desanimador sentirmos que poucas opções temos nestas eleições, tão cruciais que são para o nosso país, neste momento crítico que atravessa, de esgotamento do seu modelo social e económico.
Uma cruz sem rumo no PSD, uma cruz de latão ressoante no PS, uma cruz demagógica no CDS, uma cruz de Torquemada moralista no BE e uma cruz jurássica no PCP. Enfim, um calvário eleitoral que se consubstancia no dia 20 de Fevereiro.
Só que ao terceiro dia Portugal não ressuscitará, nem precisa. Pois é, é porque não precisamos nem de choques messiânicos. nem sebastiânicos. Precisamos é que a sociedade civil portuguesa desperte do seu estado letárgico, deixe de acreditar no céu vindo do nada, tome o país nas suas mãos e exija a prestação de contas aos políticos. Responsabilização, eis a palavra de ordem.
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Contemplação activa
«A glória pode esperar, podem esperar as recompensas, pode esperar o gosto de viver; este último, para maior finura, oxalá que nunca venha. Tudo pode esperar. Aguardemos pacientemente que em nós brote aquilo a que viemos», in Sete Cartas a um Jovem Filósofo, Agostinho da Silva.
Numa época onde impera o imediatismo e a sofreguidão pela realização das ambições, mesmo as legítimas, «já- e-agora», estas palavras de Agostinho da Silva lembram-nos de que a vida para ser bem degustada leva o seu tempo, para virmos a ser tudo o que está em nós. Assim como uma planta que cresce pacientemente todos os dias.
